segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O Vendedor de Histórias


   O vendedor de histórias foi um livro que sofri para ler. Tentei desbravar sobre suas páginas 3 vezes, e nas duas primeiras tive o infortúnio de abandoná-lo por uma causa desconhecida. Foi escrito por um escritor (o qual só li dois livros) que considero um dos meus preferidos, graças à maravilha que é O Mundo de Sofia (que aliás estou precisando reler).
    A história começa na infância do pequeno Petter Aranha, um menino com uma imaginação extraordinária (uma característica fascinante). O menino vai crescendo um pouco distante de seus colegas, sem os mesmo interesses, como se vivesse em uma realidade própria. Apesar de inventar milhares de histórias, nunca escreve nenhuma e em determinado momento começa a ganhar dinheiro fornecendo histórias para escritores de diferentes perfis. Há também seu envolvimento com Maria que (spoiler) parece algo um tanto quanto, "só acontece por acontecer" mas que no finalzinho causa uma reviravolta (não, não é algo clichê e óbvio). 
    Outro fato importante foi que eu senti muitas coisas em relação ao personagem, a princípio uma antipatia (que até me desanimava de ler o livro), depois um certo fascínio e admiração, uma crítica forte, um certo medo, querendo desvendá-lo com um pé atrás, e por fim, pena. 
      Acho que vale muito a pena desfrutar desse livro, dá para viajar em sua narrativa e em cada historieta que o Aranha inventa. Marquei várias coisas no meu livro, mas não consegui mostrar  muito bem na foto.
       Caso já tenha lido ou conheça algo sobre, sinta-se à vontade para comentar.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Malu - Capítulo 5

 O Tigre e o gato

                Os dias se passaram quase sem nenhuma novidade. Minha mãe estava ainda mais apaixonada por seus dois namorados e cada dia voltava com um presente novo. Natureza Alegre estava aprofundando seus estudos em filosofia estava falando ainda menos. Carlos Roberto Lázaro e seu namorado Eduardo Sou estavam brigados, então ele passava os dias trancado, chorando. E eu, continuava vigiando a casa. O gato da Casa do Lado continuava aparecendo.
                Carlota não apareceu durante um tempinho também a e a única pessoa que reparava em mim era o bom vendedor de leite seu Luiz:
 – Moça bonita – ele começava quase catando – o que faz tão desanimada sentada na calçada?
 – Acho que minha vida está monótona – respondia desanimada
 – Ora, não pense assim. Os dias andam ensolarados, não há uma tristeza por aí.
 – É, acho que talvez o senhor tenha razão.
 – Fico feliz que pense assim, mas tenho que ir, há muito leite para vender – ele arrancou uma flor do gramado da minha casa – tome, para lembrar que a vida é bela
                E saía andando. Nossos diálogos eram bem parecidos com isso todos os dias.
                O cenário mudou finalmente num dos dias do terço. Estava na sala jogando dominó com Maria Isabel, ela se divertia imensamente quando alguém dava atenção a ela.
 – Meus Deus – Beatriz do grupo de terço exclamou – o que é isso?
 – O que? – as outras religiosas gritaram em uníssono.
                De repente um gritou tomou conta do espaço, parecia ser no sótão. Saí correndo para ver o que era, chutando várias peças de dominó. Me deparei com Maria de Lourdes vestida de tigre gritando contra um gato preto.
 – Bruxas estão na vizinhança! – ela gritou
                Ouvi murmúrios atrás de mim e percebi que todo o grupo de terço e as crianças da casa estavam atrás de mim
 – Bruxas não podem ser toleradas! Nenhuma pessoa deve entrar em contato com os novos vizinhos – Maria Teresa Rosário declarou autoritária – esse gato só pode ser deles. Isso vale para todas as famílias.

                Houve um eterno silêncio depois disso. 

Capítulo 4
Capítulo 3
Capítulo 2
Capítulo 1

Vi essa dica no facebook e achei que devia compartilhar (com o mundo):

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Persépolis



   Persépolis foi um dos últimos livros que li (falarei num futuro próximo sobre os outros que acabei antes, tudo tem uma razão). Tinha vontade de ler já há uns 2 ou 3 anos, ganhei há menos de um mês e comecei há ler há três dias. Um dos principais motivos por ter lido rápido é por ser uma história em quadrinhos (acredita que eu já tinha implicado com o livro por causa disso?).

    O livro é uma espécie de autobiografia de Marjane Satrapi uma mulher que teve sua educação familiar com bases nas tradições persas e nas noções da esquerda ocidental ambientada na revolução islâmica que aconteceu no Irã em 1979 (não sei se ambientada é um termo correto para autobiografia, caso não seja pode corrigir). 
     Foi uma leitura muito interessante, pois é uma história cheia de informações sobre a época e sobre o Irã, por exemplo, eu não tinha noção que o Irão tinha uma "rixa" histórica com vários países do Oriente Médio por ser um país de origem persa e não árabe, e esses dois grupos estão em conflito há  mais de 1400 anos. 
  Outra coisa interessante é ver a diferença entre nossa realidade e a da Marjane, durante sua juventude usar maquiagem era um ato de rebeldia e que requeria coragem. 
  Mas é preciso tomar cuidado para não começar a ter preconceito com o islamismo, é sempre necessário lembrar que os fatos que ela relata se tratam do fundamentalismo e não da religião em si.
     É uma leitura que definitivamente vale a pena, muito envolvente e que nos faz aprender muito.




Achei essa imagem curiosa, é um dos quadrinhos do livro



quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

O " eterno" descompasso entre o ser e o não ser

    É um tanto quanto inegável que a gente passa um bom tempo das nossas vidas se preocupando com a nossa imagem. Status é uma das grandes coisas da sociedade capitalista, afinal, precisamos nos vender o tempo todo para sobreviver e temos que estar a altura. Não apenas na hora de conseguir um emprego, mas nas relações sociais. Temos uma reputação a manter. Temos que postar fotos, por exemplo da mesma forma que as pessoas do grupo que estamos inseridas, ou queremos nos inserir postam, por exemplo.
     Nas roupas temos que nos encaixar num estilo, usar tais marcas, temos que frequentar certos lugares e comer certas comidas, tudo nos diferencia, tudo nos classifica e coloca em uma certa posição na sociedade. O tempo todo temos que usar uma máscara, para sermos vistos como legais, normais, ou o que mais almejamos.
   Não estou , jamais, querendo dizer que esse é o maior ou um dos maiores problemas do nosso mundo, mas é algo que me causa um certa angústia. Ter sempre que respeitar um padrão, seguir uma regra, até nos ambientes em que as pessoas se dizem sem preconceitos. 
   Temos sempre que fazer estilo e nos preocupar com mil coisas antes de sermos nós mesmos. Além de todo consumismo, alienação, preconceitos e diferenças sociais ou culturais que esse comportamento realça. Sejamos nós mesmos, antes te tentar agradar a qualquer padrão que só existe para nos escravizar

Imagem poética e construtiva e um dos nossos primos refletindo sobre quem ele é 




terça-feira, 19 de janeiro de 2016

O Curioso destino de Madame Zelic

    Acabei de fazer o primeiro conto do ano, mal posso acreditar. Acho que esse ano será cheio de criações
          

  Madame Zelic era uma senhora elegante que vivia em um belo casarão, afastada do mundo. Proibia que qualquer coisa que fosse “indecente” passasse por suas portas. Com ela vivia sua equipe de empregados: volantes, camareiras, cozinheiras, tudo que ela precisasse para não trabalhar nada. Aos fins de semana e durante as férias, seus filhos iam lhe visitar e deixavam suas crianças (os cinco netos de madame Zelic). Fazia quinze anos que morava sem ninguém da família. Ia à igreja todo domingo e doava dinheiro ao orfanato mais próximo.
            Foi numa ensolarada tarde de quinta feira (durante sua caminhada semanal) que veio em sua direção uma moça correndo. Era baixa e gorducha, suas roupas estavam rasgadas, as unhas do pé grandes e sujas de terra, faltavam lhe também uns dois ou três dentes.
 – Madame – começou ofegante – falaram pra mim que senhora tá precisando de uma pessoa pra ajudar na cozinhas.
 – Ora – replicou a senhora fazendo uma careta – há de haver um engano. Não vejo necessidade alguma de novas empregadas. Se me dá licença, vou seguindo com minha caminhadas.
            Tentou seguir novamente seu caminho, mas novamente a moça voltou a lhe seguir
 – Mas Dona – ela falou ansiosa – eu ‘tou precisando muito. Meu filho e eu não tem o que comer mais, ‘tou sem emprego há meses, meu marido me largou, me chamou de vagabunda.
            Impaciente, Madame Zelic andou mais depressa.
 – Por favor, me escuta – a moça suplicou, com lágrimas nos olhos – sei que a senhora ‘credita em Deus, imagina só, o que ele vai achar da senhora não ajudar quem precisa.
            Na segunda feira a moça e seu filho se mudaram para a bela propriedade que pertencia aos Zelic já há muitos anos.
            A madame seguiu muitos dias sem responder aos humildes “bom dia” de sua nova empregada. “Já lhe dei o emprego depois de sua descarada chantagem e agora ainda espera sorrisos e trocas de simpatia”, pensava. Até que um dia a moça se enraiveceu.
 – Por que a senhora insiste em me ignorar? – perguntou tentando manter a calma
 – E por que você insiste em me perturbar? – respondeu a senhora calmamente
 – Custa assim me dar bom dia?
 – Eu lhe dei um emprego, e agora vem me dar sermões?
 – Esperava um pouco mais de simpatia. Mas bem que falaram a verdade no vilarejo, a senhora é uma metida!
            Espantada e sem resposta a única solução foi passar a dar um sorriso sem graça cada vez que a visse. Apesar de um pouco temerosos, vendo o novo hábito de sua patroa, todos os empregados passaram a dar os mais espalhafatosos cumprimentos toda vez que a vissem.
            Aos poucos madame Zelic foi amolecendo. Numa tarde qualquer passou quase meia hora conversando com uma das arrumadeiras sobre seu pavor a aranhas. Em uma noite foi com seu jardineiro até o hospital para ver seu filho nascendo.
 – ‘Tou gostando de ver – disse a moça enquanto servia chá à madame – a senhora está tão mudada que nem parece que nasceu rica.
 – Por favor, não me obrigue a deixar de ser simpática.
 – Tem coisas que não mudam, não é?
 – Se tem uma coisa que a vida vai lhe ensinar mocinha, é que nenhuma mudança ocorre inteiramente. Agora pode terminar de me servir o lanche, antes que fique frio.
            Mas a moça só riu, sabia que por mais duras que ainda fossem suas palavras, madame Zelic nunca mais seria a mesma.


quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

      Cá estou eu numa noite chuvosa ouvindo We Are The Champions para compor um momento dramático do último dia do Sisu (notificando que esse é um texto desabafo sem grandes propósitos). Para quem não sabe o Sisu é um sistema feito para torturar psicologicamente jovens que pretendem passar para uma universidade pública, tentar PROUNI ou FIES. Lembrando que além do método deixar qualquer um insano (eu, por exemplo, choro sem parar e acho tudo muito emocionante), também nos faz o favor de travar e dar alguns problemas. Ah, o sistema educacional. Imagem meramente ilustrativa para lhes apresentar esse sistema monstruoso (nota: ele muda todo dia)
    Pode perceber leitor, que estou num momento no qual minha mente está fora do lugar (desequilíbrio, caso psiquiátrico, frescura, inferno astral, sinta-se à vontade para chamar do que preferir). Meu quarto está mais bagunçado que o normal, eu fico enjoada e com fome, durmo 8h e parece que foram 15 minutos, não largo Harry Potter (sim, estou lendo Harry Potter, estou já no quinto livro e pretendo fazer um texto sobre ele também, agora percebo que preciso falar de um livro que acabei de ler, e percebo que esse parênteses está tão grande que deve estar fugindo das regras gramaticais então vou dar um fim nele), mando áudios no what's app para responder algo curto e gasto um dois minutos falando algo nada a ver, choro com tudo (um conhecido foi falar que outro conhecido só tinha um rim e eu quase chorei, só que a história deixou de ser triste rapidamente e consegui me controlar), inclusive chorei muito num filme muito bom chamado Philomena, e bem no meio de todo esse cenário caótico, acabou que com alguma determinação consegui! Reli e fiz modificações pequena no primeiro capítulo de O Dia em que o Sol caiu no Mar, não acredito, fiquei ouvindo a música inspiradora do filme. Não há palavras para descrever como estou feliz, já mandei para as pessoas que vão dar uma olhada para mim, é emoção que não cabe em mim (já estou começando a chorar, o que também aconteceu quando vi imagens do filme.
       Bem, acho que é mais ou menos isso mesmo. 
Nota 1 : peço desculpas pelo número avassalador de links no texto
Nota 2: desculpem pela confusão, mas algumas coisas ficam melhores depois que a gente escreve sobre elas 
Nota 3 : sobre a nota 2, isso obviamente falando da ótica da pessoa que escreve, a pessoa que lê só deve achar que a pessoa que escreve está meio mal
Nota 4: assista Philomena, é muito lindo
Nota 5: esqueci de mencionar que também tenho assistido muito Downton Abbey, que também é uma coisa que todos deveriam assistir, série linda

Quem sou eu

Minha foto
Dragão segundo o horóscopo chinês. Nascida no Rio, mas criada em Petrópolis (ainda bem). Além de querer ser professora, sonha em fazer muitas (MUITAS) coisas. Mas enquanto o dia não tem 72 horas, milita por um mundo melhor, escreve, tenta desenhar e bebe mate. Acredita plenamente no poder transformador do palco, dos animais e da educação.